A Terra é a amostra da vida universal. Dispomos hoje de imagens captadas por potentes telescópios, que alcançam distâncias de bilhões de anos-luz — cerca de 13,8 bilhões, segundo as medições mais recentes. Ao observarmos tais imagens, recebemos a luz emitida por objetos celestes em um passado remoto, contemplando, assim, diferentes épocas da história cósmica.
Podemos também examinar a história em regiões mais próximas do nosso tempo — a cinco bilhões, três bilhões, alguns milhões e até milhares de anos-luz — e em todos esses níveis de observação o que se percebe não é uma alteração nas leis físicas conhecidas, mas a constância dessas mesmas leis no sistema criado e em contínua transformação.
As leis do Universo são imutáveis; vigoram em qualquer ponto da Criação, a qualquer instante temporal. Surge, então, a pergunta: por que motivo a vida se apresentaria em outros mundos com padrões físicos diferentes daqueles que conhecemos na Terra?
Se o princípio criativo é o mesmo, a vida é essencialmente a mesma. Pode-se objetar: “Mas por que não poderia ser diferente?” A resposta é simples: o saber não se apoia no que não pode ser comprovado. A vida terrena é uma amostra da vida universal; e, até que se prove o contrário, a razão — e a ciência — deve admitir que a estrutura fundamental da vida em outros mundos, segue os mesmos princípios físico-químicos observados aqui.
Contudo, a vida não se reduz à conjunção inteligente da matéria. O que chamamos de vida orgânica é somente o instrumento físico-químico por meio do qual atua o Ser imortal — a Alma, expressão individualizada da Inteligência Criadora, que anima os seres vivos. Toda a matéria em sua evolução move-se pela vontade oculta do Criador. Assim como a lâmpada manifesta a luz, sem ser a própria energia, o corpo manifesta a vida sem ser sua fonte. Para saber mais a respeito da vida e do Ser imortal que constitui o homem, remetemos o leitor para o livro Sois Deuses.
Por isso, conclui-se, pela lógica, que onde houver uma estrela semelhante ao Sol, com zona habitável e condições estáveis, ali também se desenvolverá a vida — ela será encontrada em estágios mais primitivos ou mais evoluídos, conforme o grau de maturação do sistema planetário e o fator temporal a que estão sujeitos os sistemas estelares. Estima-se que 6 bilhões de estrelas da nossa Via Láctea sejam semelhantes ao Sol.
Por que motivo, esses sistemas planetários não teriam vida? A própria condição para que em determinado planeta haja vida, é uma lei universal. Havendo as condições fundamentais, haverá vida. Este é o caminho lógico do raciocínio: a unidade das leis físicas no Universo revela a unidade da Vida, e a unidade da Vida, confirma a universalidade do Espírito, quer dizer, da presença e do movimento de Deus em toda a Sua obra.