O ser humano é, acima de tudo, uma entidade transcendente, imaterial. Não é somente o resultado da combinação de elementos químicos, nem um acidente biológico do acaso. Sua origem remonta à própria natureza do Criador, de quem procede como centelha distinta e consciente para a Vida Universal. É o sopro de Deus.
Assim como o raio de luz participa da essência do Sol, o homem participa da essência do seu Criador. Não há raio de luz sem o Sol. Nessa unidade, pode-se dizer, sagrada, reside o mistério e a dignidade da existência humana: cada alma é uma expressão individualizada da Mente Eterna, um ponto de consciência por meio do qual Deus se reconhece e se manifesta em Sua obra, para propósitos diversos. Cada ser vivo, desde a forma mais simples, até a mais complexa, é criado para determinado fim.
O corpo é o instrumento; a mente, o mediador; mas a alma, que neles habita, é o verdadeiro Ser imortal. Ela não nasceu do pó, como o corpo, mas de Deus. Desceu à matéria para dar-lhe sentido e direção. Vida orgânica é a existência da alma no nível evolutivo em que se encontra. A evolução, ou transformação, tem início com o primeiro movimento da Criação e termina com o último. A vida é eterna, por pertencer ao Absoluto.
Quando a ciência compreender que o princípio da vida é anterior à forma, descobrirá que o homem não é somente um habitante casual do Universo — é parte viva do próprio Universo, a expressão da Inteligência Criadora, animada pela mesma energia que sustenta as estrelas.
Assim, os seres humanos são verdadeiramente Filhos do Eterno — herdeiros da Vida, coautores da Criação e continuadores do pensamento e do projeto do Criador no tempo e no espaço.