A Herança Invisível

Entre todos os resíduos criados pelo homem, o plástico é o mais persistente e invasivo. Desde sua invenção, na metade do século XX, ele se espalhou por todos os ecossistemas — das montanhas mais altas aos abismos oceânicos. Estima-se que existam mais de 170 trilhões de fragmentos plásticos flutuando nos mares, segundo levantamentos recentes da ONU-Meio Ambiente.

O plástico é leve, barato e durável — virtudes que se tornaram defeitos quando somadas ao descuido humano. Cada embalagem descartada, cada fio de náilon, cada microesfera de cosmético se transforma em micropartículas que nunca desaparecem, somente se fragmentam, infiltrando-se na água, no solo e até no sangue dos seres vivos.

Tartarugas confundem sacolas com águas-vivas, aves marinhas perecem com o estômago cheio de tampinhas, e os oceanos formam verdadeiros “continentes de lixo”, como a Grande Mancha do Pacífico, que já ocupa área superior ao triplo da área da França.

O plástico tornou-se um espelho do consumismo moderno: a facilidade imediata com o custo adiado. Cada objeto descartável é um símbolo da pressa e da falta de consciência com que vivemos.

Do ponto de vista transcendente, o plástico representa a cristalização da matéria sem propósito — a criação sem alma. A natureza recicla tudo; o homem, não. A superação desse problema exige mais que tecnologia de reciclagem: exige uma mudança de mentalidade, um retorno à simplicidade e ao respeito pela substância divina que anima toda a matéria. Vós sois deuses, e todos filhos do Altíssimo, disse Jesus. O homem precisa tomar posse de sua eternidade. Só assim todos os problemas humanos serão resolvidos definitivamente.

Casa de Davi / Sois DeusesCategorias: HumanidadeAutor: Redatores