Vivemos uma época em que o brilho das coisas materiais ofusca a luz da consciência. O progresso técnico, que deveria libertar o homem do sofrimento, tornou-se instrumento de dominação e vaidade. O materialismo — antes uma doutrina filosófica — converteu-se em hábito coletivo, em culto diário ao poder, à aparência e ao prazer imediato.
Essa inversão de valores produziu um vazio moral na sociedade, predispondo a males diversos. O ser humano passou a medir sua existência não pelo que verdadeiramente é, mas pelos seus bens e aspecto exterior que possui. A busca pelo ter, substituiu o ideal de ser; a competição tomou o lugar da fraternidade natural; a fama, o lugar da verdade. Em consequência, assistimos à erosão das virtudes que sustentam a vida — a honestidade, a justiça, a submissão, a solidariedade e o respeito.
A cultura moderna, pelos meios de comunicação, promove a ilusão de que a felicidade é produto do consumismo. Entretanto, quanto mais o homem se entrega ao desejo de possuir, mais distante fica do seu próprio eu. O excesso exterior contrasta com sua pobreza interior. Essa contradição é a raiz das neuroses, da violência e da perda dos valores existenciais que marcam a civilização contemporânea.
A degradação moral é, em essência, a perda de sintonia ou distanciamento do homem, com as Leis Universais, criadas por Deus. Quando a alma se afasta dos princípios da verdade e do amor, o mundo torna-se um reflexo do seu caos interior. As instituições enfraquecem, as relações humanas se degeneram e tornam-se superficiais, a fé na transcendência cede lugar ao ceticismo.
Mas o mesmo homem que caiu pode levantar-se. A crise atual, que culminará no Apocalipse, é também um chamado à renovação da consciência. As trevas morais anunciam a aurora de um novo tempo, em que o homem reencontrará o equilíbrio entre ciência e fé, razão e sentimento, matéria e espírito.
A regeneração definitiva da humanidade começará quando cada indivíduo entender que o verdadeiro progresso é o do coração — quando o ouro das intenções valer mais que o ouro do mundo, e o bem comum prevalecer sobre o interesse pessoal. Somente então a civilização material se converterá em civilização espiritual, transcendente, e o homem voltará a reconhecer, nele mesmo, a imagem do Criador.