Não há dúvidas de que o Livro Sagrado foi escrito para um povo específico que existe no mundo desde os tempos de Abraão. As promessas, bem como as palavras de ordem ou de repreensão de DEUS, foram endereçadas a esse grupo de almas que Moisés libertou da escravidão do Egito e o liderou em sua movimentação pelo deserto por quarenta anos. Os escritos aparecem na segunda pessoa do singular como se o SENHOR falasse com uma única pessoa: “E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra”.
Quando Deus instrui Moisés acerca de sua conversa com o rei do Egito, revela a razão desses diálogos: “Então dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito”. Fica claro que o ETERNO fala a seu primogênito, Israel. Um povo que vem preparando para grandes enfrentamentos que ainda não aconteceram. E, assim, dialoga com esse filho, ensinando caminhos, repreendendo, castigando, humilhando, mas também restaurando e exaltando.
Dentre as grandes promessas de DEUS para seu primogênito Israel está a mais grave: “E o SENHOR te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do SENHOR, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir”. E diz mais: “E todos os povos da terra verão que é invocado sobre ti o nome do SENHOR, e terão temor de ti”. O Espírito afirma que esse Povo será cabeça das nações, palavra pronunciada também em outras circunstâncias, pelos profetas.
Deus não é homem para mentir. Sendo assim, se as promessas feitas ainda não foram cumpridas, elas terão de ser. E se o Povo a quem falava por meio de Moisés pereceu no deserto, sem ver o cumprimento das promessas, certamente o SENHOR se referia a acontecimentos bem à frente daquele tempo. Uma época em que o primogênito, Israel, já estaria em condições de assumir as responsabilidades para as quais o PAI o preparou. É a mesma Palavra, o mesmo DEUS e, portanto, o mesmo Povo. Se as mesmas almas não estivessem nesse tempo futuro, estaríamos diante de uma falsa promessa.
Diante desse lógico raciocínio, o princípio inteligente da Criação é preservado, considerando que todas as coisas necessitam de um começo, de uma trajetória de crescimento ou aperfeiçoamento e de um final, exceto o Eterno, que é Incriado. Toda a Criação obedece a um mesmo princípio, desde o mais simples elemento até o mais complexo organismo. Não faz sentido que justamente o filho primogênito, o qual foi criado para ser a luz do mundo, seja guiado de outra maneira.
Quando se afirma que as Sagradas Escrituras foram escritas para esse filho (Israel) trata-se realmente de toda a obra, de Gênesis ao Apocalipse. Portanto, a obra não foi interrompida e recomeçada como se fez parecer. Ela mantém coeso o princípio criativo, contendo o começo, o meio e o fim do propósito de DEUS para a humanidade. Nada há, nas Escrituras, que afirme o contrário. A separação em Velho e Novo Testamento faz parte das doutrinas formuladas pelos homens, ainda envolto pelo véu da ignorância.
Paulo, na Carta aos Romanos, afirmou: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”. Eis tudo! As antigas almas libertas do Egito sempre estiveram vivas e espalhadas pelo mundo. A promessa não ficará pela metade. Ouve, Israel!
“O SENHOR te confirmará para si como povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos. E todos os povos da terra verão que é invocado sobre ti o nome do SENHOR, e terão temor de ti” (Deuteronômio 28:9,10). Deuteronômio 28 / Êxodo 4.22 / Romanos 8.29-30 /