Dois pontos de vista humanos dificultam a compreensão do mundo que os rodeia, estabelecendo um obstáculo intransponível à sabedoria dos céus: a irracionalidade das crenças e o ceticismo científico em relação à existência do princípio fundamental, que denominamos Deus. Einstein disse: “A ciência sem religião é manca; a religião sem ciência é cega.” A irracionalidade de ambas persiste em nossos dias, fechando as portas para a humanidade deixar seu cativeiro moral e intelectual.
Não se pode deixar de reconhecer a importância da ciência e da religião nas atividades cotidianas. No entanto, as teses apresentadas pelas religiões em relação à vida são, em sua essência, desprovidas de qualquer sentido lógico. Embora o livro de Gênesis ensine que Deus fez o homem à imagem e semelhança Dele, não se segue que o Criador seja um homem. Infelizmente, foi isso o que concluíram importantes segmentos das crenças ocidentais. O conceito de que Deus é espírito foi ignorado ou mal compreendido. O próprio Cristo afirmou: “Deus é espírito”, quer dizer, é movimento, ação, inteligência que orquestra toda a Criação — é a sua origem.
A ciência, por sua vez, além de sondar o mundo à sua volta, investiga eventos que ocorreram no Universo, sondando imagens geradas, estima-se, há 13,8 bilhões de anos. E, diante da seta do tempo, não há dúvida de que estamos embarcados num movimento evolutivo iniciado no começo da história cósmica. Ocorre que, ao regressar ao ponto inicial, onde a matéria, a energia e o espaço-tempo estavam contidos num ponto sob pressão infinita, os teóricos insistem em não investigar o que havia anteriormente ao Big Bang. Essa é uma teoria, criada pelo padre e físico belga Georges Lemaître, que explica a origem do Universo do ponto de vista do seu movimento expansionista, com início, meio e, certamente, um fim. Dizem que, como as leis observadas pela ciência não existiam antes desse instante, não seria necessário saber o que havia anteriormente. Ora, esse é justamente o ponto capital, sem o qual não se pode entender o todo.
Antes do Big Bang ou do existir, encontra-se a singularidade, segundo a teoria da relatividade. O existir sem o conceito de tempo podemos denominar de Absoluto, o qual é a origem da relatividade. Uma variação desse absoluto, o relativo, é a Criação. Se o movimento é a relatividade, o instante anterior ao movimento é a quietude absoluta, o Absoluto incriado. Estamos diante do Ser, se é que podemos chamá-lo assim, que as crenças genericamente disseram ser “Deus”. Talvez isso não importe aos atuais teóricos da ciência, mas conceber um princípio que gera e governa as coisas existentes faz diferença no que se pretende entender do que está à nossa volta.
As teorias científicas atuais permanecem destituídas do fundamento: o princípio que a tudo gerou dele e nele mesmo. A vida é uma prerrogativa desse Ser supremo e está espalhada pelo Universo, concebido unicamente para essa finalidade. Se não há um propósito para se viver no Universo, o qual é o elemento material em viva transformação, por qual finalidade existiria? O Universo não teria nenhuma razão lógica de ser. E, se não há um motivo racional para as coisas, cairíamos num redemoinho de possibilidades aleatórias e desconexas, que caracterizam o caos.
A vida é, portanto, um fenômeno natural e universal. Testifica a existência do imaterial e está presente em todos os lugares habitáveis do Universo. É uma organização molecular que se manifesta em estágios mais ou menos aperfeiçoados, segundo propósitos ainda desconhecidos. Se a vida se manifesta mediante um processo de evolução comprovado, ela progride de estados simples para outros mais complexos e, consequentemente, mais perfeitos. Não evolui ao acaso e nem está sujeita ao que se chamou de entropia. A entropia se aplica à existência relativa das coisas, mas não ao Universo, que se organiza para uma condição predeterminada pela inteligência suprema. Há um começo, meio e fim.
Diante desses argumentos, qual é a dificuldade em conceber a vida em outros lugares dessa mesma Criação, quer dizer, admitir a existência de outros mundos habitados? A vida, no seu aspecto orgânico, depende somente de condições materiais apropriadas para surgir, não há dúvidas. Evidentemente, onde e quando surgir, não dependerá do material, mas do propósito da inteligência suprema. A condição para a vida pode ser encontrada em muitos outros mundos da galáxia que são similares à Terra. Não há nenhum sentido racional em supor que a vida exista de outro modo, baseada em outros processos e organização física, uma vez que o Universo é o mesmo em qualquer lugar. Enquanto não houver indícios científicos idôneos mostrando o contrário, essas teses são considerações infundadas. A vida no planeta Terra é uma amostra da vida universal. Com certeza, as espécies existentes nesses outros lugares são as mesmas observadas neste lugar. As espécies vivas, incluindo o homem, podem ser encontradas em estados mais avançados ou mais primitivos, porém sempre será a mesma vida, com as bases que conhecemos. Seguem um caminho evolutivo similar em todos os planetas habitados. O “motor” do Universo é o mesmo.
Não se sabe, ainda, como o agente criador e mantenedor do Universo, que denominamos Deus, realizará a finalização dessa magnífica Criação. Mas tudo indica que a jornada que observamos é a evolução dos organismos vivos, e não o seu fim numa morte vazia e destituída de sentido. A maioria dos teólogos acredita em uma suposta salvação para os homens, de modo a viverem depois da morte em um paraíso que só existe nas mentes ingênuas. Pelo pensamento lógico da ciência dos céus, não existe esse céu imaginário, como pensam, mas dimensões do mesmo Universo, organizadas de tal modo que não as percebemos pelos atuais sentidos físicos.
O Universo apresenta-se em diversos estados do movimento evolutivo, não se pode negar. Uma imagem simplória é a conhecida história da pedra atirada na quietude de um lago. As primeiras ondas que surgiram do Big Bang são as mais antigas e abrigam civilizações com desenvolvimento inimaginável. A Terra está nesse caminho de progressividade. Surfamos uma onda derradeira do movimento criativo. Ainda não temos quase nenhum saber acerca da grandeza das coisas, mas o teremos em breve.
Quando iniciarmos o ciclo de relações com outras civilizações — que não são hostis, evidentemente —, então teremos acesso a descobertas indispensáveis à felicidade geral das nações e à nossa própria integração com os demais povos do Universo. A vida está em toda parte, em todas as regiões habitáveis da Criação. Não estamos sozinhos!