Duas posições humanas embaraçam o entendimento das coisas, criando uma barreira intransponível para a sabedoria dos céus: a irracionalidade das crenças e o ceticismo científico em relação a Deus. Einstein disse: “A ciência sem religião é manca; a religião sem ciência é cega.” A irracionalidade persiste. De fato, não se pode deixar de reconhecer a importância desses dois campos, ciência e religião, nas atividades cotidianas. No entanto, as teses apresentadas pelas religiões, em relação à vida, são, em sua essência, desprovidas de sentido lógico. Embora o livro Gênesis ensine que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, não se segue que o Criador seja um homem. Essa conclusão, fez com que o Deus-Espírito fosse deixado de lado. O Cristo afirmou: “Deus é espírito”, quer dizer, Deus é movimento, é ação, é o big bang, a inteligência que orquestra toda a Criação.
A ciência, por sua vez, além de sondar o mundo à sua volta, investiga os eventos no Universo, sondando as imagens geradas, estima-se, há 13,8 bilhões de anos. Não há dúvida que estamos embarcados num movimento que se iniciou no começo da história cósmica. Ocorre que, ao regressar ao ponto inicial, onde a matéria, a energia e o espaço-tempo, estavam contidos num ponto sob pressão infinita, os teóricos não se interessam pelo que havia antes da explosão. O argumento traduz a ignorância e os limites do atual pensamento científico: como as leis observadas pela ciência não existiam antes desse instante, dizem não ser necessário saber o que havia anteriormente. Ora, esse é justamente o ponto capital.
Antes do Big Bang, há a singularidade, que podemos denominar o Absoluto, a fonte da relatividade. O Universo começou com um movimento relativo desse absoluto. O que havia antes, não é difícil conceber. Se o movimento é a relatividade, o instante anterior ao movimento é a quietude absoluta, é o Absoluto incriado. Estamos diante do Ser, se é que podemos chamá-lo assim, que as crenças genericamente denominaram por “Deus”. Talvez isso não importe aos atuais teóricos, mas saber que há um princípio que gera e governa as coisas existentes, faz diferença no que se pretende entender de qualquer dessas coisas.
Enfim, as teses científicas estão destituídas do elemento fundamental: o que a tudo gerou dele e nele mesmo. A vida é uma prerrogativa desse Ser supremo e pertence ao Universo, concebido para que nele houvesse o espetáculo da vida. Se não há nada para viver no Universo gerado, o qual é o elemento material em transformação, por qual finalidade existiria? O Universo não teria nenhum motivo lógico de ser.
A vida é, portanto, um fenômeno universal. É questão de organização molecular, que se manifesta em estágios mais ou menos aperfeiçoados, num ou noutro lugar. Se está encadeada em um processo evolutivo que tudo permeia, ela evolui de estados simples para outros mais complexos e, naturalmente, mais perfeitos. Não evolui ao acaso e nem está sujeita ao que se chama de entropia. A entropia se aplica à existência relativa das coisas, mas não ao Universo, que se organiza para uma condição predeterminada pela inteligência suprema, com começo, meio e fim.
Diante disso, qual a dificuldade em conceber a vida em outros lugares dessa mesma Criação, quer dizer, admitir a existências de outros mundos habitados? A vida depende de condições apropriadas para surgir, não há dúvidas. Mas essa condição pode ser encontrada em muitos outros mundos da nossa galáxia, similares à Terra. Não há sentido racional em supor que a vida exista de outro modo, baseada em outros processos, uma vez que o Universo é o mesmo em qualquer lugar. O que chamamos de vida no planeta Terra é uma amostra da vida universal. Com certeza as espécies existentes nesses lugares são as mesmas. Elas podem ser encontradas em estados mais avançados ou mais primitivos, mas sempre será a vida com as bases que conhecemos, seguindo um caminho evolutivo, similar em todos os mundos habitados, pois o “motor” do Universo é o mesmo.
Não se sabe, ainda, como o agente criador e mantenedor do Universo — Deus — realizará a finalização de sua obra. Mas, tudo indica que a jornada, é o evolver da vida e não o seu fim na sepultura. Teólogos falam em uma suposta salvação para se viver em um paraíso que só existe nas mentes ingênuas. Pelo pensamento lógico da ciência de Deus, não existe esse céu, como pensam, mas dimensões do mesmo Universo, de tal modo organizadas, que não percebemos pelos atuais sentidos do corpo que caracteriza a vida terrena.
O Universo apresenta-se em diversos estados de evolução. Uma imagem simplória é a conhecida história de uma pedra atirada na quietude de um lago. As primeiras ondas que surgiram são as mais antigas e abrigam civilizações com um desenvolvimento inimaginável. A nossa Terra está nesse caminho. Surfamos uma onda derradeira. Ainda não temos quase nenhum saber acerca da grandeza das coisas, mas o teremos em breve. Quando iniciarmos o ciclo de relações com outras civilizações, que não são hostis, evidentemente, então teremos acesso a descobertas indispensáveis à felicidade geral das nações e à nossa própria integração com os demais povos do Universo. A vida está em toda parte, em todas as regiões habitáveis da Criação. A Terra não está sozinha.