A eternidade é uma palavra que precisa ser entendida com clareza, porque dela depende a visão que temos de Deus e de nós mesmos. Somente o Ser Absoluto é eterno em sentido pleno. Ele existe por si, não tem princípio nem fim, é a fonte de tudo o que existe. As coisas criadas, sejam os mundos, os seres espirituais ou a própria humanidade, participam dessa eternidade de maneira relativa. Isso significa que a Criação não tem em si o poder de existir para sempre, mas existe pela vontade de Deus, o qual é a fonte da vida e de tudo o que há. Quando as Escrituras falam em alianças eternas, juízos eternos ou estatutos eternos, muitas vezes estão se referindo a períodos longos, duradouros e estáveis, mas não absolutos.
Entender essa diferença nos liberta de muitos equívocos acumulados ao longo da tradição humana. Um deles é a ideia de que existe um castigo eterno, um inferno eterno ou uma morte eterna. Essas concepções, quando entendidas literalmente, colocam o sofrimento humano em pé de igualdade com a eternidade de Deus, o que é uma contradição.
Se somente Deus é eterno em sentido absoluto, nada pode igualar-se a Ele. O que existe na realidade são juízos relativos, que se prolongam pelo tempo necessário à correção das almas, mas que têm fim quando a obra educativa e esclarecedora do Criador é cumprida.
A alma, por sua vez, é uma fagulha da luz eterna. Gerada no seio de Deus, ela não pode deixar de existir. Sua eternidade, no entanto, é relativa, porque se manifesta em ciclos de criação e repouso. Em cada ciclo, a alma amadurece, aprende, passa por experiências, enfrenta dificuldades, colhe frutos e se prepara, ao fim da jornada, para retornar ao repouso no Ser Absoluto. Entre o começo e o fim, consomem-se milhares de bilhões de anos terrestres.
Esse movimento evolutivo dá sentido à vida e impede que o homem caia na ilusão de que nasceu somente para consumir os dias no efêmero gozo dos prazeres proporcionados pelo consumo. Somos chamados a existir para sempre, mas nossa vida só encontra plenitude quando compreendida na eternidade do próprio Criador. A consciência desse mistério nos convida a viver com mais responsabilidade, com mais serenidade e com mais fraternidade, pois cada ato, cada palavra e cada escolha possuem dimensão eterna.